Sábado, 2 de Junho de 2007
LAR,DOCE LAR

                         

 

Porque só damos valor as coisas quando as perdemos ou estamos prestes a perder ou somos privados delas por um tempo?É incrivél como a cama fica mais macia,as brigas tem um gosto de normalidade,a vista da janela que vc achava horrível(já q não era um belo mar)ou nem prestava muito atenção,te parece a mais maravilhosa visão.Só agora vc olha a mesa com a perna remendada, que vc jurou trocar uma centena de vezes e uma centena de vezes acabou adiando, e lembra o porque  dela estar com a perna quebrada e lembra o gosto de infância que tem,das travessuras que resultam em pernas quebradas(antes as das mesas que as nossas).Lembra das gargalhadas,das fofocas com as amigas até tarde,das danças com a irmã e as discussões com a mãe,  dos telefonemas pros namorados,dos encontros escondidos torcendo pro pai não flagrá-la( porque não saberia explicar o que a filhinha dele estaria fazendo semi-nua com aquele rapaz ).

É só quando partimos é que temos noção do que deixamos,e todas as vezes que eu paro pra pensar que logo não verei mais o meu travesseiro,que chorou comigo tantas mágoas,lembro o quanto era um doce lar,e eu tantas vezes classifiquei amargo e tantas vezes quis fugir dele...

Na faxina,encontrei o velho baú que eu guardava as cartinhas que eu ganhava,e lembrei que eram muitas e hoje já não são mais tantas,pra não dizer nenhuma(estamos muito ocupadas pra escrever aos amigos),mas lá ainda restou os resquícios do que fomos um dia.Relendo lembrei de gente que nem lembrava mais e tive curiosidade de saber onde e como estavam,o que andaram fazendo e se ainda se lembravam de mim ou talvez só se lembrem, como eu, quando acharem por aí uma folha com o meu nome ou talvez nem isso,talvez apenas achem q lembram vagamente de alguém que conheceram e tinha esse nome.Lembrei de gente que me amaram e hoje já não gostam tanto de mim,de gente que escreveram cordialidades e hoje fazem parte da minha história mais íntima.Lembrei dos que não escreveram.Lembrei daqueles que estão até hoje comigo e lembrei que eles tbm fizeram parte do meu lar que passou,do meu lar de  agora e pouco provável farão parte do meu novo lar...Essa é a dor das distâncias,elas tem um poder maior q separar corpos,elas às vezes separam corações e almas.

Quando olho para o velho casarão,que me viu crescer,quase posso ouví-lo contar os meus segredos.xiii vc sabe demais...Ela pode contar os tombos q levamos,ela sabe das mudanças que ocorreram,e dos dias que estavamos sorrindo e os nascimentos e as mortes(que graças a Deus foram muito poucas). Eu me vou e ela fica. Quantas histórias ela ainda vai assistir? E quantos anos vai passar até que a terra a engula como aos seus donos?...Será que eu a visitarei algum dia?Será que um dia serei uma estranha sua,como uma velha conhecida que passou tanto tempo fora q se foram as intimidades e ficaram só as formalidades?

Muitos anos estive dentro de vc,hoje me vou e te levo dentro de mim e assim eu sei que nunca deixará de ser meu LAR, DOCE LAR!


música: A CASA(Natércia Campos)

DEVANEIOS Lili às 18:26
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